Aquecimento de voz, ajustes no figurino, últimos retoques na maquiagem. Nos camarins do Theatro da Paz, a noite de quarta-feira (19) foi marcada por uma estreia. A poucos minutos de entrar no palco, o elenco da ópera experimental La Traviata acompanhava atentamente as orientações da diretora cênica do espetáculo, Jena Vieira. “Esses últimos minutos são os momentos cruciais para fortalecer a sincronia do grupo. Todos precisam estar em perfeita harmonia para que tudo ocorra conforme o planejado”, explicou a diretora, que também gerenciou o trabalho das equipes de som e iluminação da ópera.
O espetáculo, promovido pela Fundação Carlos Gomes, voltou aos palcos após um hiato de quase um ano. E dessa vez, em um espaço muito maior. “Apesar de o espetáculo ter estreado no Teatro Claudio Barradas ano passado, cada retorno aos palcos é um recomeço. E é assim que eu encaro esse trabalho. Cada nova apresentação é uma estreia, seguida por emoções completamente diferentes”, ressalta a soprano Dione Colares, interprete da personagem Violetta, protagonista da ópera.
Baseada na peça teatral "A Dama das Camélias", do francês Alexandre Dumas Filho, o espetáculo que mistura, em um só espaço, música erudita e linguagem audiovisual, encantou o público que lotou as dependências do Theatro da Paz. Espectadora iniciante de ópera, a administradora Thania Santos fez questão de trazer o filho de nove anos para assistir a montagem junto com ela. E afirma que se emocionou durante toda a apresentação.
“Não tem como não se emocionar com essa arte. Mesmo não entendo algumas palavras cantadas na apresentação, o contexto da história é universal. É uma história que fala de amor. E além de tudo, tem a música que acompanha toda a encenação. Essa melodia nos traz uma paz e uma tranquilidade sem igual. Eu recomendo, vale muito a pena”, descreveu a mãe do pequeno João Marcelo.
Quem também trouxe o filho de seis anos para assistir a apresentação foi a historiadora Laura Martins. Para ela, é a partir desses contatos, que se forma novos espectadores de arte. “Esses espaços precisam também ser acompanhados por crianças, pois é aqui que se constroem os futuros apreciadores dessa arte. Por isso que fiz questão de trazer o meu filho. Eu sei que ele ainda é muito bem pequeno para compreender o significado disso. Mas sei também que essa experiência vai fazer diferença no futuro dele. Pois espero que assim como eu, ele também seja um apaixonado por ópera”, afirmou Laura.
Coordenadora de bandas da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Rosana Lima, que também esteve na plateia, elogiou a montagem experimental e disse que a ideia de misturar ópera e cinema aproximou muita gente do espetáculo. “Esse espetáculo é um belo exemplo de iniciação à ópera, pois como ele mistura duas linguagens, a montagem se torna muito mais leve e didática. Pois, tira aquele pensamento que ópera é uma arte chata, longa. E fora isso, o nível dos artistas é muito alto. Por isso o publico foi ao delírio e aplaudiu entusiasmado cada ato”, ressaltou.
Emocionada com a vibração do público, Jena Vieira agradeceu a recepção do espetáculo. E declarou que a ópera cumpriu o seu principal papel, formar público para esse tipo de apresentação em Belém. “Diferente da nossa primeira estreia, durante o Festival Internacional de Música, que os aplausos foram dados apenas ao final do espetáculo. Aqui, a cada ato fomos presenteados com longos aplausos. Isso é muito gratificante”, destacou a diretora cênica da ópera.
Para quem ainda pretende assistir o espetáculo. A ópera experimental La Traviata continua em cartaz nesta quinta-feira, às 20h. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados na bilheteria do Theatro da Paz, a partir das 9h da manhã.
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