Quase 80 anos separam as plateias que assistiram à primeira exibição do filme “Tempos Modernos” (Modern Times, 1936), do diretor e ator inglês Charles Chaplin, e a que compareceu na última sessão do ano do projeto “Cinema e Música”, do Cinema Olympia. Apesar do hiato na história, o público presente riu e se divertiu da mesma maneira com a genialidade do humor de Chaplin. Essa foi a última exibição do ano, mas já em janeiro de 2014 o projeto deve voltar para atender os espectadores que não perdem a programação.
Os risos surgem fáceis a cada cena protagonizada e imortalizada pelo vagabundo criado por Chaplin. Mal iluminados pela luz do projetor que corta o escurinho do cinema, distinguem-se rostos jovens, outros nem tanto e ainda crianças acompanhando na tela as peripécias e a mensagem passada há gerações pelo diretor inglês. Tudo acompanhado pela música do pianista Paulo José Campos de Melo – superintendente da Fundação Carlos Gomes –, que serve de fundo para sonorizar um dos filmes icônicos do cinema mudo.
A distância do centro da cidade e o trânsito complicado não impediram que o técnico de laboratório Raimundo Almir Nascimento Batista, 62 anos, e a neta, Maíra, 4, chegassem a tempo de acompanhar a exibição daquele que muitos fãs consideram o melhor filme de Charles Chaplin. Fã de cinema e do próprio Olympia, ele contou que participou do movimento que pediu pela permanência do espaço.
Raimundo contou que não perde a programação do cinema, e dessa vez trouxe a neta para conhecer o mais antigo cinema em atividade do país. “Costumo incentivar os colegas a virem aqui. Hoje convidei minha filha e trouxe minha neta. Acho importante ela conhecer o cinema”, afirmou. Maíra concordou e disse que havia gostado do filme. “É legal. Já fui a outro cinema e meu avó me trouxe aqui”, disse a garotinha.
A mesma opinião é do estudante de arquitetura Fernando Mesquita, que foi pela primeira vez ao Cinema Olympia para acompanhar a sessão do clássico de Chaplin. “Gostei, aliás, estou curtindo muito. Mesmo sendo um filme antigo, é muito divertido. Imagina o que era fazer as pessoas rirem em um cinema sem ter som, e ainda hoje todos se divertem com isso. Assistir acompanhado de música ao vivo é muito diferente”, declarou.
O diretor de programação do projeto Cinema e Música, Marco Antonio Moreira, avaliou positivamente a participação do público e o sucesso do projeto. Para ele, a receptividade foi a melhor possível. “Sabíamos que seria positivo, mas não o retorno do público. Sempre que exibíamos Chaplin, tínhamos um público muito bom. Com o projeto, 50% do que exibimos foi Chaplin, mas ele proporcionou também que as pessoas conhecessem os outros filmes. Temos 430 lugares, e muitas vezes tivemos mais de 450 pessoas no cinema“, revelou.
O projeto Cinema e Música é promovido pela Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) e Fundação Carlos Gomes (FCG), com a participação do pianista Paulo José Campos de Melo. Marco Antonio Moreira fez um agradecimento especial ao músico, peça fundamental para a realização da programação. “Não adianta ter a ideia e não ter a execução, então sem o Paulo, que tem uma qualidade musical fantástica, não teríamos esse projeto”, asseverou.
A programação do projeto Cinema e Música faz um recesso para o fim de ano, mas já no início de janeiro volta, para celebrar o aniversário de Belém, com sessões especiais para atender o público cativo.
Texto: Agencia Pará
Fotos: Carlos Sodré (Ag Pará)
